Correlação é conclusão de pesquisa feita em 114 nações; EUA são exceção
Para líder ateu, religião rapta bens, dinheiro e mentes que deixam de ser empregados em atividades econômicas
Folha de São Paulo, 27 de setembro de 2010
HÉLIO SCHWARTSMAN ARTICULISTA DA FOLHA
Quanto mais religiosos são os habitantes de um país, mais pobre ele tende a ser. Essa é a conclusão de uma pesquisa Gallup feita em 114 nações e divulgada no último dia 31 que mostra uma correlação forte entre o grau de religiosidade da população e a renda "per capita".
Correlação, vale lembrar, é um conceito traiçoeiro. Quando duas variáveis estão correlacionadas, tanto é possível que qualquer uma delas seja a causa da outra como também que ambas sejam efeitos de outros fatores.
Desde o século 19, a sociologia tem preferido apostar na tese de que a pobreza facilita a expansão da religião. "Em geral, as religiões ajudam seus adeptos a lidar com a pobreza, explicam e justificam sua posição social, oferecem esperança, satisfação emocional e soluções mágicas para enfrentar problemas imediatos do cotidiano", diz Ricardo Mariano, da PUC-RS.
"As religiões de salvação prometem ainda compensações para os sofrimentos e insuficiências desta vida no outro mundo", acrescenta.
O sociólogo, porém, lembra que há outros fatores: "A restrição à liberdade religiosa, ideologias secularistas e o ateísmo estatal dos países socialistas contribuíram para a baixa importância que sua população atribui à religião, como ocorre na Estônia, campeã nesta matéria, e na própria Rússia".
Já na Europa Ocidental, diz Mariano, "modernização, laicização do Estado e relativismo cultural erodiram bastante a religiosidade".
A grande exceção à regra são os EUA. Com uma das maiores rendas "per capita" do planeta, 65% dos norte-americanos atribuem importância à religião em sua vida diária. Tal índice é bem superior à média dos países mais ricos, que é de 47%.
Sem descartar um papel para as explicações sociológicas mais tradicionais, que chama de "fator ópio do povo", Daniel Sottomaior, presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) aventa algumas hipóteses na direção contrária, isto é, de que a religião é causa da pobreza. "Ela promove o fatalismo e o deus-dará", diz.
Em certos lugares, notadamente alguns países islâmicos, ela desestimula a educação e impede a adoção do pensamento científico.
Além disso, afirma Sottomaior, "a religião não apenas não gera valor como sequestra bens, dinheiro e mentes que deixam de ser empregados em atividades econômicas e de desenvolvimento".
RELIGIOSOS Para religiosos ouvidos pela Folha, é a riqueza que pode reduzir o pendor das pessoas à religiosidade. Segundo o padre jesuíta Eduardo Henriques, "a abertura a Deus é inversamente proporcional à segurança oferecida pela estabilidade econômico-financeira, com exceções, é claro. Espiritualmente falando, os pobres tornam-se sinais mais eloquentes de que ninguém, pobre ou rico, basta a si mesmo. Por isso Jesus chamou os pobres de bem-aventurados".
Já para o pastor batista Adriano Trajano, a pesquisa mostra que quanto maior for o estado de pobreza e pouco desenvolvimento econômico no país, "maior será a busca por subterfúgios sobrenaturais, pois a religião tem esse poder de transportar o necessitado a um mundo de cordas divinas". "Que a religião desempenha um papel importante nas sociedades, não há dúvida, resta saber até que ponto esse papel favorece a vida?", pergunta.
O teólogo adventista Marcos Noleto é mais radical: "Há uma incompatibilidade da fé prática com a riqueza. Assim como dois corpos não podem ocupar um mesmo lugar no espaço, na mente do homem não há lugar para duas afeições totais. Veja que Deus escolheu um carpinteiro e não um banqueiro para ser o pai de Jesus".
Orçamento aumentou, em valores já corrigidos, de R$ 3,7 bi no final do governo FHC para R$ 8,3 bi neste ano
Quadro de pessoal da Presidência aumentou pelo menos 150% nos 8 anos de gestão petista no Palácio do Planalto
Folha de São Paulo, São Paulo, segunda-feira, 27 de setembro de 2010
GUSTAVO PATU DE BRASÍLIA
Ao longo de seus oito anos de mandato, Luiz Inácio Lula da Silva promoveu uma multiplicação sem precedentes de estruturas, cargos, verbas e poderes da Presidência da República, o que também ajuda a explicar por que escândalos se concentraram no Palácio do Planalto.
O orçamento da Presidência e dos órgãos sob seu comando direto somava, em valores já corrigidos pela inflação, R$ 3,7 bilhões no final do governo FHC. No final da administração petista, são R$ 8,3 bilhões -ou R$ 9,2 bilhões se contabilizado o Ministério da Pesca, que tem orçamento separado, mas é vinculado à Presidência.
A expansão, de 126% no cálculo mais comedido, superou com folga a do restante da máquina federal -de lá para cá, as verbas de ministérios, autarquias, fundações, Legislativo e Judiciário tiveram juntas aumento de 70%. Mas é na distribuição interna dos recursos que estão os exemplos mais eloquentes da superpresidência de Lula.
Só o gabinete presidencial teve seus recursos multiplicados por cinco. Na classificação orçamentária, é onde está o núcleo central do poder palaciano, incluindo a Casa Civil da qual saíram José Dirceu, acusado de comandar o mensalão, Dilma Rousseff, para a campanha, e Erenice Guerra, após a revelação de que havia um esquema de facilitação de interesses privados no ministério.
É ainda onde foram concentradas todas as verbas da publicidade oficial, antes distribuídas entre os ministérios e hoje a cargo da Secretaria de Comunicação Social, entregue em 2007 ao jornalista Franklin Martins, que ganhou status de ministro.
Naquele ano foi criada uma estatal subordinada a Franklin, a Empresa Brasil de Comunicação, que substituiu a Radiobrás e tem hoje orçamento -separado do gabinete presidencial- equivalente a quase o quádruplo do contabilizado em 2002.
A cargo da secretaria e da empresa está o programa "Democratização do acesso à informação jornalística, educacional e cultural". Trata-se, principalmente, da produção e distribuição de reportagens sobre o governo.
Além de mais dinheiro, há mais gente no entorno presidencial. Sob Lula, o quadro de pessoal da Presidência aumentou acima dos 250%, enquanto no restante do Executivo civil a taxa foi de 13%.
É verdade que a maior parte desse aumento se deve à Advocacia-Geral da União, que, além de contratar novos funcionários por concursos, absorveu procuradores antes distribuídos em outros órgãos. Desconsiderada a AGU, o contingente cresceu 150%, para 7.856 pessoas em maio.
No gabinete do presidente, a grande maioria ocupa cargos e funções de confiança, sejam os de livre nomeação, sejam os reservados a servidores requisitados de outros órgãos -eram os casos, respectivamente, de Vinícius Castro e Stevan Knezevic, que deixaram a Casa Civil na esteira do caso Erenice.
A Presidência também cresceu com a criação de novas estruturas e a absorção de órgãos que anteriormente estavam em ministérios. No governo Lula, o Planalto passou a incluir as secretarias especiais de Portos, Direitos Humanos, Políticas para as Mulheres e Igualdade Racial.
A Controladoria-Geral da União ganhou orçamento próprio. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) saiu do Planejamento, teve mais verbas e fez o maior concurso de sua história.
Em 2003, o Bom Dia Brasil me enviou para Caracas. Era um momento decisivo da fratura da sociedade venezuelana. Conversei com muita gente, vi imagens fortes, acompanhei passeatas e entrevistei Chávez. Diversas vezes ouvi, de um lado e de outro, que Lula era igual a Chávez. Sempre reagi, ofendida, falando das convicções democráticas de Lula para acentuar a diferença.
Continuo achando que Lula tem mais virtudes que Chávez, mas para quem viu aquele momento, as semelhanças com esse final de governo são assustadoras. Uma das táticas do presidente venezuelano era atacar a imprensa. Dizia que ela abusava da liberdade que ele "concedia", tratava os jornalistas como inimigos, acusava os jornais de serem partidos políticos, gritava em comícios que havia uma unidade entre ele e a opinião pública, como se as pessoas fossem uma massa sem diversidade de pensamento.
Lula tem criticado a imprensa diariamente. Não é novidade. Mas no discurso de sábado, ele foi ainda mais fundo no modelo chavista, num ataque desconexo e impróprio aos órgãos de imprensa que, na opinião dele, são "uma vergonha" e "destilam ódio e mentira". Prometeu "derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político" e firmou que esses órgãos "não são democratas e pensam que são democratas".
A democracia não pertence ao presidente. Pela sua natureza, ela é construção coletiva. Foi construída por uma luta coletiva e só por ela será preservada. O governante é apenas, por um tempo determinado, investido do poder de governar. Isso não lhe dá poderes divinos, nem o direito de ofender com a acusação de não ser democrata qualquer pessoa que pensa de forma diferente, ou que diz ou escreve o que ele não considera conveniente.
Por causa do que foi revelado pela imprensa nos últimos dias é que o governo demitiu, até agora, quatro funcionários: a ministra-chefe da Casa Civil, um diretor dos Correios e dois funcionários do Palácio do Planalto. Ou bem a imprensa estava publicando matéria eleitoreira, e todos tinham de ser mantidos em seus lugares, ou o que foi publicado tem substância e, por isso, o governo precisa se livrar dos que se comportaram de forma inadequada. Se todos saíram do governo, só pode ser a segunda hipótese e isso significa que as reportagens ajudaram uma depuração do próprio governo.
O presidente não tem tido serenidade, não tem exercido o papel de presidente de todos os brasileiros, ajuda a fraturar o país; como Chávez tem feito. Suas manipulações dos fatos são grosseiras, como quando disse: "A oposição tem saudade do tempo em que se governava em cima dos tanques". Lula desrespeitou e ofendeu inúmeros brasileiros que são oposição ao governo e que resistiram, com atos e palavras, contra o poder dos que governavam em cima dos tanques. Já os com-tanques daquela época foram aceitos na vida democrática, porque o tempo passou, e é momento de concórdia. Do lado do presidente está, por exemplo, José Sarney, que foi diligente seguidor dos que governavam sobre tanques; outra pessoa que ele admira é o ex-ministro Delfim Netto. Existem vários. O presidente sabe. Mas em cima de um palanque, usa seu dom de iludir.
A Venezuela tem uma história diferente tanto no governo quanto na imprensa. Mas hoje, há semelhanças com a busca, pelo governante venezuelano, de minar a credibilidade dos órgãos de imprensa para executar seu projeto de fechamento de órgãos, suspensão de concessões, cerceamento do direito deinformação e opinião. Foi o caminho da fratura da sociedade venezuelana, que não pode, nem deve ser, imitada.
Num ataque digno de Luiz XV, Lula sentenciou: "Nós somos a opinião pública". Errado de novo. Ninguém é a opinião pública. Ela é diversa, tem várias facetas, se organiza hoje numa direção, muda no dia seguinte, se divide e se agrupa dependendo do tema. A opinião pública é feita e desfeita diariamente. Não tem dono. Só os governantes autoritários acharam que podiam controlá-la e, quando conseguiram, foi por pouco tempo e com trágicas consequências.
Lula avaliou que seu legado seria reconhecido, se ele elegesse o seu sucessor. Escolheu a candidata Dilma Rousseff, tem sido capaz de transferir votos e ela, de manter e atrair eleitores. Deveria estar contente, mas entrou num redemoinho com a excitação da campanha e aprofunda os ataques descabidos à imprensa, à oposição, às instituições. Assim, corre o risco de ganhar a eleição, mas deixando como legado uma democracia mais fraca, um padrão de comportamentodo governante e do governo que abastardam o processo eleitoral, fortalecendo o grupo entre seus seguidores que tem projeto autoritário.
Chávez mantém o poder há 12 anos e permanecerá por mais tempo, mas ele é um perdedor. Hoje, a economia, a política, a democracia e a sociedade venezuelana carregam as sequelas dos seus erros e excessos.
Continuo acreditando que Lula e Chávez são diferentes, mas é doloroso reconhecer no presidente brasileiro alguns detestáveis traços do presidente venezuelano. Nos últimos dias, esses traços estiveram em relevo
Alunos perdem o costume de manusear enciclopédias e ainda sentem dificuldade para encontrar informações de qualidade na internet; é papel da escola, portanto, orientá-los nas pesquisas
Fotos Carlos Cecconello/Folhapress
Arthur de Oliveira Araujo, 13, procura informações sobre o mesmo assunto na internet
FABIANA REWALD DE SÃO PAULO LUCIANO BOTTINI FILHO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Fernando Foster, 49, vende enciclopédias da Barsa há 30 anos. Seu modo de trabalhar quase não mudou e ele continua vendendo tão bem quanto no início da carreira. A diferença é que agora sempre leva um notebook para as visitas a potenciais clientes. Assim, pode mostrar os atributos não só da edição impressa como da digital -quem compra os livros ganha DVD-Rom e acesso ao conteúdo da internet. Luiz Felipe Pezzino Lugarinho, 12, está no 6º ano do colégio Elvira Brandão, na zona sul de São Paulo. Dentre seus cerca de 30 colegas, é o único que sabe o que é uma enciclopédia, mesmo que não a utilize com frequência. Com um mundo de informações a apenas um clique, muitos alunos não aprendem a pesquisar em livros, o que preocupa as escolas. "Não é preciso evitar a internet, mas o estudante deve entender a diferença [entre o material impresso e o que está disponível na rede]", diz Jorge Cauz, presidente da Encyclopaedia Britannica. Diferentemente da Barsa, a Britannica concentra 95% das vendas no meio digital. Antônio Joaquim Severino, professor aposentado da Faculdade de Educação da USP, defende que o manuseio dos livros continua uma via pedagógica insubstituível. "O recurso às fontes eletrônicas é enriquecedor, mas complementar."
AULA DE BIBLIOTECA Para suprir essa falta de costume de pesquisar em livros, o colégio Santa Maria (zona sul de SP) dá aulas sobre como usar a biblioteca. "As crianças se assustam quando ouvem as palavras "acervo" ou "lombada'", conta a bibliotecária Marilúcia Bernardi. Os estudantes aprendem a manusear livros, jornais e revistas. Mas a preocupação com o uso do conteúdo disponível na internet também existe. "Às vezes, o professor pressupõe que o aluno sabe pesquisar, mas tem que ter orientação", diz Miguel Thompson, diretor de marketing e serviços educacionais da Editora Moderna. A ingenuidade faz com que os estudantes acessem sites inseguros, recorram a conteúdos desatualizados e não saibam a diferença entre informações boas e ruins. "Os alunos pensam que sites que trazem poucos resultados são péssimos, em comparação com o Google, que traz um milhão de respostas", diz Helena Mendonça, coordenadora de tecnologia da informação e comunicação da Stance Dual (centro). Quando há casos de plágio ou se os alunos escrevem o que não devem na rede, a escola propõe uma discussão sobre condutas éticas. No Santo Américo (zona oeste), a saída foi convidar uma empresa de direito eletrônico para conversar com os alunos. "Passar a noção de autoria é um desafio", diz a diretora Elenice Lobo.
DICAS PARA OS PAIS
4 passos para evitar o acesso a conteúdos inadequados
1 -DIÁLOGO Converse comseu filho sobre o que ele acessa na rede e os riscos envolvidos
2 -CONTROLE Filtros de conteúdo impedem o acesso a páginas proibidas para crianças. Acompanhe sempre o histórico de navegação de seu filho
3 -ESCOLA Saiba se, na sala de aula, a internet é usada com segurança e se o professor ensina como usá-la
4 -PRESENÇA O computador deve ficar em um ambiente comum, próximo dos pais. Não deixe a criança usar a internet sozinha, no quarto
Fonte: Rosilei Vilas Boas, coordenadora de Gestão da Informação da Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática
JORNALISTA QUESTIONA SE O GOOGLE AFETA A INTELIGÊNCIA HUMANA E RECOMENDA RESTRINGIR O USO DE COMPUTADORES NAS ESCOLAS E EM CASA
John Todd/ Bloomberg
O jornalista Nicholas Carr participa de palestra em San Francisco
MARCELO LEITE DE SÃO PAULO
Nicholas Carr cutucou a onça da internet com um argumento longo e bem-desenvolvido no livro "The Shallows -What the Internet is Doing to Our Brains" (que poderia ser traduzido como "No Raso -O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros" e será lançado no Brasil pela Agir). Em poucas palavras, a facilidade para achar coisas novas na rede e se distrair com elas estaria nos tornando burros. O livro já vendeu mais de 40 mil cópias nos Estados Unidos. Está sendo traduzido em 15 línguas. Carr recusa a pecha de alarmista, mas sua preocupação com as "tecnologias de tela" é tanta que ele recomenda a restrição do acesso de alunos à internet nas escolas. Não descarta que a rede possa evoluir para a veiculação de ideias menos superficiais, mas tampouco vê indícios de que irá nessa direção. Leia abaixo trechos da entrevista telefônica dada por Carr da casa de parentes em Evergreen, Colorado, onde se refugiou depois de evacuado por força de incêndios florestais perto de sua casa nas montanhas Rochosas.
Folha - O livro deplora a internet como ameaça à mente formada pela invenção de Gutenberg, que nos deu o Renascimento e o Iluminismo. Mas Gutenberg também não destruiu a mente e a filosofia medievais? Ou seria mais preciso dizer que as invenções amplificam e continuam a cultura do passado? Nicholas Carr - Toda tecnologia de comunicação e escrita traz mudanças. Isso é verdadeiro mesmo para o período anterior a Gutenberg, com a invenção do alfabeto, pela maneira como alterou a memória humana e nos deu maior capacidade de intercambiar informação. A internet, assim como tecnologias anteriores, amplifica certos modos de pensar e certos aspectos da mente intelectual, mas também, ao longo do caminho, sacrifica outras coisas importantes.
Se a leitura e a reflexão profundas estão em risco, como explicar o sucesso de coisas como o Kindle e seu livro? As coisas não mudam de imediato. O número ao menos dos que leem livros sérios vem caindo há um bom tempo, mas haverá pessoas lendo livros por muito tempo no futuro. Meu argumento é que essa prática está se mudando do centro da cultura para a periferia, e as pessoas começam a usar a tela como sua ferramenta principal de leitura, não a página impressa. Acho também que, à medida que mudamos para dispositivos como Kindle ou iPad para ler livros, mudamos nossa maneira de ler, perdemos algumas das qualidades de imersão da leitura.
O que pode ser feito em termos práticos e individuais para resistir a tal tendência? Não escrevi o livro para ser do tipo de autoajuda. A mudança que estamos vendo faz parte de uma tendência de longo prazo, na qual a sociedade põe ênfase no pensamento para a solução rápida de problemas, tipos utilitários de pensamento que envolvem encontrar informação precisa rapidamente, distanciando-se de formas mais solitárias, contemplativas e concentradas. Por outro lado, como indivíduos, nós temos escolha. Mesmo que a desconexão se torne mais e mais difícil, pois a expectativa de que permaneçamos conectados está embutida na nossa vida profissional e cada vez mais na visa social, a maneira de manter o modo mais contemplativo de pensamento é desconectar-se por um tempo substancial, reduzindo nossa dependência em relação às tecnologias de tela e exercendo nossa capacidade de prestar atenção profundamente em uma única coisa.
As escolas deveriam restringir o uso da internet pelos alunos, em lugar de se lançar de cabeça na tecnologia? Sim. Nos EUA tem havido uma corrida para considerar que computadores na escola são sempre uma coisa boa, até mesmo uma confusão da qualidade do ensino com o tempo que os alunos passam conectados. É um erro. Certamente os computadores e a internet têm um papel importante a desempenhar na educação, e as crianças precisam aprender competências computacionais, a usar a internet de maneira eficaz. Mas as escolas precisam perceber que essa é uma maneira de pensar diferente de ler um livro. É preciso dar tempo e ênfase, no ensino, para desenvolver a capacidade de prestar atenção em uma única coisa, em vez de mover sua atenção entre diversas coisas. Isso é essencial para certos tipos de pensamento crítico e conceitual.
O sr. consideraria a internet responsável pela epidemia de casos de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH)? Não tenho certeza de que a ciência sobre isso seja definitiva, ainda. Há indicações de que as tecnologias que as crianças usam, de videogames a Facebook, possam contribuir para TDAH. É algo que precisa ser mais estudado. Para os pais preocupados com a capacidade de seus filhos de manter a atenção, poderia ser apropriado restringir as tecnologias.
A TV e o rock também já foram acusados no passado de ameaçar os intelectos jovens, mas não há carência de novos escritores e artistas. Sempre que uma tecnologia nova e popular aparece, há pessoas que adotam uma visão exageradamente otimista, de uma utopia social, e pessoas que adotam uma visão exageradamente negativa, de que ela vai destruir a civilização. No livro tento não adotar uma visão unilateral da tecnologia, porque acho que ela tem muitas coisas boas, do acesso mais fácil à informação até novas ferramentas para autoexpressão. Meu temor é que, na medida em que empurramos celulares, smartphones e computadores para as crianças em idades cada vez mais precoces, elas não venham a desenvolver as habilidades mentais mais contemplativas e atentas. Isso seria uma grande perda para a cultura, pois a expressão artística requer reflexão mais calma, tranquila, introspectiva.
É concebível que a internet possa mover-se numa direção que combine os poderes da informação visual com os do texto para promover pensamentos em profundidade?
Tudo é possível, mas cada tecnologia que usamos para fins intelectuais tem certos efeitos e reflete um conjunto particular de premissas sobre como devemos pensar. A internet, sendo um sistema multimídia baseado em mensagens e interrupções, tem uma ética intelectual que valoriza certos tipos de pensamento utilitários, voltados para a solução de problemas, que encoraja as multitarefas e a rápida transmissão ou recepção de migalhas de informação. A tecnologia pode mudar rapidamente, mas não vejo razão para pensar que vá [noutra direção].
Estamos aqui não porque o Universo seja propício à existência, mas apesar de sua hostilidade a nós
NO DOMINGO PASSADO, escrevi sobre as recentes afirmações de Stephen Hawking. Para ele, a ciência demonstrou que Deus não é necessário para explicar a criação. Outro argumento que Hawking usou é que o Universo é especialmente propício à vida, em particular à vida humana. Mais uma vez vejo a necessidade de apresentar um ponto de vista contrário. Tudo o que sabemos sobre a evolução da vida na Terra aponta para a raridade dos seres vivos complexos. Estamos aqui não porque o Universo é propício à vida, mas apesar de sua hostilidade. Note que, ao falarmos sobre vida, temos de distinguir entre vida primitiva (seres unicelulares) e vida complexa. Vida simples, bactérias de vários tipos e formas, deve mesmo ser abundante no Cosmos. Na história da Terra -o único exemplo de vida que conhecemos-, os primeiros seres vivos surgiram tão logo foi possível. A Terra nasceu há 4,5 bilhões de anos e sua superfície se solidificou em torno de 3,9 bilhões de anos atrás. Os primeiros sinais de vida datam de pelo menos 3,5 bilhões de anos, e alguns cientistas acham que talvez possam ter 3,8 bilhões de anos. De qualquer modo, bastaram algumas centenas de milhões de anos de calma para a vida surgir. Não é muito em escalas de tempo planetárias. Esses primeiros seres vivos, os procariontes, reinaram durante 2 bilhões de anos. Só então surgiram os eucariontes, também unicelulares, mas mais sofisticados. Os primeiros seres multicelulares (esponjas) só foram surgir em torno de 700 milhões de anos atrás. Ou seja, por cerca de 3,5 bilhões de anos, só existiam seres unicelulares no nosso planeta. O que aprendemos com esses estudos é que a vida coevoluiu com a Terra. O oxigênio que existe hoje na atmosfera foi formado quando os procariontes descobriram a fotossíntese em torno de 2 bilhões de anos atrás. Estamos aqui porque oxigenaram o ar. Devemos lembrar que seres multicelulares são mais frágeis, precisando de condições estáveis por longos períodos. Não é só ter água e a química correta. O planeta precisa ter uma órbita estável e temperaturas que não variem muito. Só temos as quatro estações e temperaturas estáveis porque nossa Lua é pesada. Sua massa estabiliza a inclinação do eixo terrestre (a Terra é um pião inclinado de 23,5), permitindo a existência de água líquida durante longos períodos. Sem a Lua, a vida complexa seria muito difícil. A Terra tem também dois "cobertores" que a protegem contra a radiação letal que vem do espaço: o seu campo magnético e a camada de ozônio. Viver perto de uma estrela não é moleza. Precisamos de seu calor, mas ele vem com muitas outras coisas nada favoráveis à vida. Quem afirma que o Universo é propício à vida complexa deve dar uma passeada pelos outros planetas e luas do nosso Sistema Solar. Ademais, o pulo para a vida multicelular inteligente também foi um acidente dos grandes. A vida não tem um plano que a leva à inteligência. A vida quer apenas estar bem adaptada ao seu ambiente. Os dinossauros existiram por 150 milhões de anos sem construir rádios ou aviões. Portanto, mesmo que exista vida fora da Terra, a vida inteligente será muito rara. Devemos celebrar nossa existência por sua raridade, e não por ser ordinária. MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"
Os caminhos tortuosos que vem percorrendo essa proposta legislativa
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
A proposta
Em junho de 2004, o Pró-Vida de Anápolis enviou ao deputado Elimar Máximo Damasceno (PRONA/SP) uma sugestão de projeto de lei que dispusesse sobre a proteção integral à criança por nascer: o Estatuto do Nascituro[1].
A deformação da proposta
O deputado submeteu a proposta à Consultoria Legislativa da Câmara. Em setembro de 2004, a Consultoria emitiu um parecer no qual destruía o núcleo da proposta original. O nascituro — segundo a Consultoria — não deveria ser considerado pessoa, mas expectativa de pessoa. Além disso, ele não deveria ter direitos, mas “expectativa de direitos”. E quanto ao artigo 128 do Código Penal, que isenta de pena o aborto em duas hipóteses, ele deveria ser preservado por oferecer “maior proteção ao nascituro” (sic!).
Tendo sido informado do desastroso parecer da Consultoria, o Pró-Vida de Anápolis comunicou ao deputado Elimar que seria melhor manter a versão original.
A tragédia
No dia 01/11/2005 o deputado Osmânio Pereira (PTB/MG) apresentou o projeto, porém, não na versão original, mas naquela deformada pela Consultoria. O projeto, que recebeu o número PL 6150/2005, trazia o nome de “Estatuto do Nascituro”, mas na verdade o que fazia era negar ao nascituro seus direitos e sua personalidade, em oposição frontal ao Pacto de São José da Costa Rica.
Para alegria das crianças, o PL 6150/2050 foi arquivado em 31/01/2007 (fim da legislatura), sem que chegasse a ser apreciado.
Renovação da tragédia
Em 19/03/2007, os deputados Luiz Bassuma (PT/BA) e Miguel Martini (PHS/MG) reapresentaram a mesma proposta deformada, desta vez com o número PL 478/2007. Em 30/3/2007 o projeto foi recebido pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF). Em 4/6/2007 foi designada como relatora a deputada Solange Almeida (PMDB-RJ).
Uma tentativa de conserto
Em 26/11/2009, a relatora emitiu um parecer favorável ao projeto, mas na forma de um substitutivo. Segundo palavra da própria deputada, o texto foi de tal modo reduzido que perdeu sua “característica de Estatuto”. Os erros mais grosseiros foram corrigidos. Desta vez, afirmava-se que o nascituro tem direitos e não meras “expectativas de direito”. Não se negava mais que o nascituro fosse pessoa, mas tampouco se ousava afirmá-lo. O substitutivo quis deixar de lado a “discussão acerca do momento do início da personalidade jurídica” (sic), o que foi um grande empobrecimento.
Qualquer atentado aos direitos do nascituro seria “punido na forma da lei” (art. 5º). No entanto, a relatora excluiu toda a parte penal do projeto. Desapareceram então os crimes contra o nascituro, assim como o enquadramento do aborto entre os crimes hediondos.
Foram mantidos os direitos do nascituro concebido em decorrência de um estupro (art. 13): assistência pré-natal, acompanhamento psicológico da mãe, encaminhamento para a adoção (caso a mãe o deseje) e pensão alimentícia. Este último direito, porém, foi enfraquecido. Não se diz mais que a pensão será de 1 (um) salário mínimo, nem que ela será oferecida até que a criança complete 18 anos. Além disso, tal benefício só será dado à gestante se ela não dispuser de meios para cuidar da criança. Com todas essas restrições, a ajuda do Estado deixou de ser algo líquido e certo, como estava previsto na versão original.
O substitutivo é posto em pauta
Apesar de tão esvaziado e enfraquecido, o que restou do “Estatuto do Nascituro” foi alvo de veementes ataques dos abortistas. Na acalorada sessão de 19/05/2010 na CSSF, que durou mais de quatro horas, houve tentativa de derrubar a sessão e de adiar (ainda mais) a votação do projeto.
Surpreendente foi a atuação da deputada Fátima Pelaes (PMDB/AP), que declarou publicamente ter sido concebida em decorrência de um abuso sexual sofrido por sua mãe, que cumpria pena em um presídio e já tinha cinco filhas. A deputada, que nunca conheceu seu pai, confessou que outras vezes já defendera o direito ao aborto. “Mas eu precisava ser curada, ser trabalhada, porque eu estava com um trauma”, acrescentou. Naquela sessão, porém, ela estava decidida em votar em favor da vida: “Se nós lutamos pelo direito à vida, temos que lutar desde o nascituro”.
Uma nova deformação
À última hora, no dia 19/5/2010, a deputada fez uma “complementação de voto” a pedido do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP). No artigo 13, o nascituro concebido em decorrência de estupro teria os direitos acima, porém, “ressalvados o disposto no Art. 128 do Código Penal Brasileiro” (sic). Com esse triste enxerto, o artigo 13 passou a dizer que, apesar de o nascituro ter todos esses direitos, o médico que matá-lo será isento de pena.
A votação do substitutivo
“Aqueles que forem favoráveis ao projeto 478, permaneçam como se acham”, disse o presidente da Mesa deputado Manato (PDT/ES). Sete deputados levantaram-se contra o projeto:
ARLINDO CHINAGLIA (PT/SP)
DARCÍSIO PERONDI (PMDB/RS)
DR. ROSINHA (PT/PR)
HENRIQUE FONTANA (PT/RS)
JÔ MORAES (PCdoB/MG)
PEPE VARGAS (PT/RS)
RITA CAMATA (PSDB/ES)
“Aprovado!”, concluiu o presidente.
As reformas necessárias
A vitória do PL 478/2007 na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) foi apenas um primeiro passo de um longo trajeto que precisa de sérias correções. Eis as reformas mais importantes:
1º) O Estatuto do Nascituro deve explicitamente declarar que o nascituro é pessoa desde a concepção, em conformidade com o que diz o Pacto de São José da Costa Rica (art. 1º, n. 2 e art. 3º). Convém lembrar que o Supremo Tribunal Federal considerou, por maioria, que essa Convenção tem status supralegal, “estando abaixo da Constituição, porém acima da legislação interna” (RE 349703/RS). Assim, já não tem aplicação a primeira parte do artigo 2º do Código Civil, que diz: “a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida”. O Estatuto do Nascituro precisa corrigir esse erro, dizendo: “a personalidade civil do ser humano começa com a sua concepção”.
Não basta dizer que o nascituro tem direitos. Isso já diz o atual Código Civil em vários lugares (art. 2º parte final, art. 542, art. 1692, art. 1621, art. 1798 e art. 1799, I). Enquanto não for afirmado que o nascituro é pessoa, tais direitos serão interpretados como meras expectativas de direitos, como têm feito até agora tantos doutrinadores.
Note-se que a negação da personalidade do nascituro (art. 2º, CC, parte inicial) foi o argumento chave usado pelo ministro Carlos Ayres Britto, relator da ADI 3510 para defender a destruição de embriões humanos. Ele admitiu expressamente que, se o nascituro fosse pessoa, qualquer permissão para o aborto seria inconstitucional[2].
2º) O Estatuto do Nascituro deve alterar a redação do artigo 128 do Código Penal, que não pune o aborto em duas hipóteses. O aborto diretamente provocado deve ser sempre punido. A morte do nascituro só pode ser tolerada como efeito secundário de uma ação em si boa. Convinha usar a redação proposta pelos bispos do Brasil em agosto de 1998 à Comissão Revisora do Anteprojeto do Código Penal do Ministério da Justiça:
Art. 128 – Não constitui crime um procedimento médico, não diretamente abortivo, tendente a salvar a vida da gestante, que tenha como efeito secundário e indesejado, embora previsível, a morte do nascituro.
Parágrafo único: A exclusão de ilicitude referida neste artigo não se aplica:
I – se a morte do nascituro foi diretamente provocada, ainda que tenham sido alegadas razões terapêuticas
II – se era possível salvar a vida da gestante por outros procedimentos que não tivessem como efeito secundário a morte do nascituro.
Note-se que, na proposta dos bispos, desaparecia o aborto como meio, admitindo-se a morte do nascituro apenas como efeito, desde que observadas diversas condições do princípio da ação com duplo efeito. Essa sugestão, que naquela época não foi acolhida pelo governo brasileiro, poderia agora ser inserida no Estatuto do Nascituro, como, aliás, previa a versão original do projeto.
3º) O Estatuto do Nascituro deve incluir o aborto entre os crimes hediondos. De fato, o homicídio qualificado já é crime hediondo (art. 1º, I, Lei 8072/1990). Ora, um dos elementos que torna o homicídio qualificado é o uso de “recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido” (art. 121, §2º, IV, CP). Ora, essa circunstância está sempre presente no aborto, uma vez que a criança é absolutamente indefesa. Não faz sentido discriminá-la simplesmente por ela estar situada dentro do organismo materno.
Outras reformas ainda podem ser feitas. Mas a primeiríssima delas, sem a qual as demais perdem a consistência, é reconhecer sem meias palavras que o nascituro é pessoa. A negação da personalidade do nascituro vem servindo nos EUA para sustentar a terrível sentença Roe versus Wade, com a qual a Suprema Corte em 1973 impôs a legalidade do aborto a todo o território estadunidense.
O que um seguidor de Jesus Cristo deve fazer numa eleição fortemente influenciada pela teologia da “libertação”? Uma presidenta “evangélica” seria a resposta para do Brasil?
Julio Severo
Dilma ou Serra: eis a questão
Como seguidor de Jesus Cristo, não posso votar na Dilma Rousseff. Não que eu ache que alguém com seu passado tenebroso ligado a grupos terroristas não tenha chance de mudar. Eu já vi muitas mudanças, todas realizadas em Jesus Cristo.
Jesus Cristo? Rousseff não quer nada com ele. Ela tem sim compromisso com a agenda de aborto, homossexualismo e tirania socialista do PT.
“Ah, então você vai votar no Serra!”, dizem automaticamente aqueles que confundem rejeição ao PT com apoio escancarado a qualquer outro partido. No caso, se você não vota em Dilma, acusam você de votar em Serra.
O cristão verdadeiro não pode fazer isso. Tanto Serra quanto Dilma são adeptos fiéis da religião baalista do aborto e do homossexualismo. Eles não são mornos em seu compromisso para com o dogma abortista e gayzista.
Ao votar neles, você estará lhes dando poder e autoridade para promover suas insanidades ideológicas que promovem a sodomia e matam bebês.
“Então, nossa única opção é um candidato evangélico!”
Marina e suas questões
A única opção evangélica nesta eleição é uma socialista que, ao ser indagada sobre adoção de crianças por duplas gays, responde que “não tem opinião formada”. Ora, se depois de muitos anos na igreja, um cristão não consegue captar a visão do Evangelho sobre essa importante questão, para que continuar esquentando o banco da igreja?
Marina Silva também declarou ser contra o “casamento” gay, mas favorável à união civil. Marta Suplicy também sempre sustentou essa posição, igualmente defendida por Dilma e Serra.
A legalização da união civil é um passo para o “casamento” homossexual. Declarar uma posição contra “casamento” gay e favorável à união civil é uma tentativa bastante maliciosa de apaziguar dois lados antagônicos. É na verdade uma estratégia fraca que culminará na vitória da agenda gay. Em vez de assumir uma posição totalmente clara, Marina opta por posturas ambíguas entre o bem e o mal, entre as forças que querem defender a família natural e aquelas que querem destruí-la.
Marina: “Sempre apoiei Gabeira e Marta”
Ela afirmou: “Tenho sido muito criticada, mas sempre apoiei Gabeira e Marta… O Estado é laico e não deve discriminar qualquer pessoa.” Sempre apoiou Gabeira, o ativista homossexual radical do PV (o partido dela), que é totalmente a favor do aborto? Sempre apoiou Marta Suplicy, a rainha da agenda gay e do “relaxa e goza”, a feminista radical, uma criatura das mais obscenas da política brasileira?
Como pode um cristão afirmar que honra Jesus Cristo, mas apoia ímpios declarados? Tudo bem se ela tivesse dito que o apoio dela se restringia a um bom testemunho diante desses dois depravados, mas esse não parece ser o caso.
O Dicionário Aurélio, na forma transitiva direta que Marina usou, dá apenas três significados para o verbo “apoiar”:
1. Dar apoio a; aprovar.
2. Sustentar, amparar.
3. Defender, favorecer.
Escolha agora você o tipo de apoio que ela sempre deu para Marta e Gabeira:
1. Ela sempre “deu apoio e aprovou” Marta e Gabeira.
2. Ela sempre “sustentou e amparou” Marta e Gabeira.
3. Ela sempre “defendeu e favoreceu” Marta e Gabeira.
Quanto a mim, nunca apoiei Gabeira e Marta, nem nunca apoiei quem os apoia.
Opinião oficial de Marina sobre o movimento gay
Na sua declaração pública sobre o movimento homossexual, Marina reforça sua postura em cima do muro:
Minha voz e meus atos nunca manifestaram ou manifestarão, portanto, qualquer tipo de rejeição a qualquer movimento legitimado por aquilo que costumo chamar de forças vivas da sociedade.
Sempre que me perguntam sobre o que penso a respeito do movimento LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), seus direitos e sua luta por leis que os protejam de discriminação, digo que reconheço a legitimidade do movimento e de suas reivindicações.
Ele confessa que não rejeitará o movimento gayzista, e que reconhece a legitimidade desse movimento e de suas reivindicações, e ninguém sabe dizer exatamente até onde vai seu apoio e desapoio ao movimento abortista e homossexualista. O que se sabe é que hoje ela é, com toda a sua carga de Leonardo Boff, Frei Betto e Caio Fábio, um “mistério” em cima do muro. A única coisa que ela não deixa em cima do muro é a teologia da “libertação”, que ela trata com declarações inequivocamente positivas.
No entanto, suas posturas relativamente liberais não a salvam de incômodos entre os liberais mais radicais. Dias atrás, um líder gay baiano deixou o PV por discordar de Marina. Mas essa atitude não foi tomada porque ela é contra o movimento homossexual. De modo semelhante, a revista Veja foi alvo de uma convocação gay de repúdio total porque sua matéria de capa foi 99% a favor dos homossexuais.
Os militantes homossexuais estão cada vez mais exigentes. Eles estão agora tão acostumados a receber avalanches de verbas, leis e outros privilégios estatais que eles querem 1000%. Nada menos do que isso os deixará satisfeitos.
Dá para entender o motivo por que Marina tenta se esquivar em questões importantes como adoção de crianças por duplas gays, não seguindo a linha bíblica de “sim, sim” e “não, não” a fim de não irritar birrentos como Luiz Mott e Toni Reis?
A insatisfação dos ativistas gays com ela é exclusivamente porque ela não está com eles 100%. Embora ela esteja 100% com a teologia da “libertação”, recebendo amplos elogios de seu guru Boff, é muito difícil dizer que ela está 50% com os cristãos conservadores. No livro do Apocalipse, ela estaria dentro de uma classificação onde Jesus diz: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3:15-16 ACF)
Além disso, há um fato muito importante: Os cristãos conservadores são totalmente contra o aborto e o homossexualismo. E Marina já declarou publicamente que não é conservadora. Se ela ganhar a eleição e permitir alguma continuidade das políticas abortistas e homossexualistas de Lula e do PT — políticas que nunca receberam nenhuma oposição dela quando ela era ministra de Lula e militante do PT —, ninguém poderá se assustar e chamá-la de traidora, pois ela já deixou muito claro o que ela não é.
Teologia da “libertação” versus Evangelho de Jesus Cristo
Numa entrevista recente a Caio Fábio, ela disse que conheceu o evangelho vivo na teologia da libertação. Veja aqui o vídeo do Youtube mostrando a importância dessa teologia na vida dela: http://www.youtube.com/watch?v=ZGvsIXajiVs
O Evangelho vivo da Bíblia apresenta Jesus pregando e demonstrando o Evangelho do Reino de Deus: curando os doentes, expulsando demônios, libertando os cativos.
A teologia da “libertação” mata o evangelho verdadeiro na alma das pessoas, aleija mental e espiritualmente os sãos, injeta demônios nos corações, coloca almas em cativeiro e mata espiritualmente os que estão em cativeiro.
Essa teologia também é o evangelho vivo de Dilma e Serra: favorecer os “oprimidos” (no caso, os ativistas gayzistas e as feministas abortistas) e combater os “opressores” (no caso, os cristãos que seguem o Evangelho verdadeiro). Lula, é claro, também segue esse evangelho “vivo”. É por isso que ele só anda com “oprimidos” como Fidel Castro, Hugo Chavez e o presidente do Irã, que quer varrer do mapa o “opressor” Estado de Israel.
A teologia da “libertação”, amplamente conhecida e praticada nos meios católicos mais liberais do Brasil, trouxe Lula e o PT ao poder, com a ajuda de padres e bispos católicos que infielmente faziam uso do Evangelho como mero palanque para proclamarem fielmente a ideologia de Karl Marx.
Esse é o evangelho de Marina, que se esquiva de um testemunho claro e coerente do Evangelho verdadeiro, mas mantém-se fiel à teologia da “libertação” e suas propostas de “salvação” social por meio das ideias de Marx.
O “evangelho” vivo defendido por Boff, Betto e Caio Fábio trouxe o falso messias Lula para o Brasil. Aliás, hoje o senhor Fábio se gaba de ter sido um dos responsáveis pela aceitação política de Lula entre os evangélicos.
O Evangelho vivo da Bíblia sempre traz Jesus Cristo como único e verdadeiro Messias.
Teologia da “libertação”: a escolha de Boff, Betto, Caio Fábio, Marina, Dilma e Serra
Quando, sob o efeito entorpecente da teologia da “libertação”, as comunidades eclesiais de base da Igreja Católica começaram a apoiar o PT, ninguém imaginava o futuro, com um governo esquerdista fiel à religião laica do aborto e homossexualismo. Graças a essa possessão socialista, a eleição presidencial deste ano será, nas palavras do próprio Lula, a primeira eleição do Brasil em que todos os candidatos são de esquerda — fruto dos muitos anos do árduo trabalho de propaganda interna e externa da CNBB em prol do “pobre”, “inocente” e “oprimido” marxismo.
Quando vejo a teologia da “libertação” em Serra, Dilma e Marina, eu vejo o futuro — um futuro sombrio construído por um presente de mentiras, inverdades, esquivos, maquinações, enganações e principalmente deturpações vergonhosas do Evangelho.
“Ah, então em quem você vai votar, Julio? Marina é a única opção dos evangélicos seguidores de Caio Fábio e dos católicos seguidores de Leonardo Boff, Frei Betto, etc!”
Eu não voto no menos pior. Não voto em pervertidos e em mornos. Na ausência de um candidato dotado de coragem e clareza para defender integralmente a família natural e enfrentar frontalmente o movimento de ditadura homossexualista e abortista, farei como tenho feito há muitos anos: consagrarei Jesus Cristo como Rei dos reis e Senhor dos senhores do Brasil. Só isso.
Prestação de contas: para eleitos e eleitores
Um dia, Dilma, Serra e Marina terão de prestar contas por suas manobras, enganos e perversões. Cada um deles foi, em maior ou menor grau, influenciado pela teologia da “libertação”. Cada um deles está, em maior ou menor grau, ajudando a construir um Brasil de trevas.
Não podemos, em maior ou menor grau, colaborar com candidatos políticos em seu projeto de construção tenebrosa, pois um dia os que se consideram seguidores de Cristo também terão de dar satisfação por elegerem indivíduos como Dilma e Serra, que não reconhecem e ainda afrontam o senhorio de Jesus Cristo. E darão satisfação também por elegerem mornos, que honram Cristo somente nas palavras, conforme disse Jesus: “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mateus 15:8 ACF)
Jesus também disse: “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 10:32-33 ACF)
Essa verdade sobre nosso testemunho a favor ou contra Jesus também vale para a esfera política, inclusive quando nos perguntam acerca de adoção de crianças por duplas gays e outras importantes questões.
O que o Evangelho vivo faz
Quem vive realmente em Jesus não tem testemunho em cima do muro, mas na luz, defendendo firmemente a família natural contra as agressões da tirania gayzista e feminista abortista.
Quem está realmente em Jesus não vive da teologia da “libertação”, mas do único e verdadeiro Evangelho vivo.
O Evangelho vivo traz o Jesus Cristo vivo, que traz vida em abundância, inclusive para os pobres, sem jamais recorrer às mentiras e violências do marxismo.
O Evangelho vivo traz vida em abundância para os pobres, sem roubar de ninguém por meio de impostos injustos e pesados que sustentam corruptos programas assistencialistas do Estado.
O Evangelho vivo traz vida em abundância para os pobres, sem impor sobre a sociedade a agenda gay e abortista.
O Evangelho vivo liberta os homossexuais e assassinos de bebês.
O Evangelho vivo liberta os eleitores de elegerem simpatizantes do homossexualismo, do aborto e do marxismo.
O Evangelho vivo liberta os políticos entreguistas que fazem concessões a todo modismo politicamente correto. E liberta também políticos que trabalham para colocar o Estado na posição usurpada, imoral e mentirosa de Grande Pai e Deus na vida das pessoas.